• ©As coisas fundamentais são menos aparentes e mais perenes. São as sementes que fazem brotar árvores duradouras.

• O mundo nos últimos cinco mil anos mudou muito menos do que parece. A vida humana é essencialmente a mesma. Os detalhes tecnológicos que todos os séculos trouxeram, embotaram nossos sentidos e nos fizeram crer que vivemos no limiar de uma nova era. Mas todas as revoluções foram giros de trezentos e sessenta graus que mudaram aparências, mas conduziram o homem ao mesmo ponto de partida.

• Os nacionalismos e as religiões sempre foram o cimento social que mantém as coisas como estão, e/ou as vezes, arrumam alguma revolução com o objetivo de simular mudanças.

• Qualquer divisão é artificial e nociva, ali está plantada a semente da destruição, que poderá demorar a brotar ou até florescer de alguma maneira inesperada, mas que sempre trará consigo morte e sofrimento.

• O homem deve integrar-se com seu semelhante e com a natureza, cada movimento em direção da união e da dissolução de barreiras, cicatriza um pouco o sofrimento universal.

• Todos os regimes políticos e econômicos, por mais nocivos ou eficientes que possam ser, são apenas detalhes...a poda de algumas folhas da árvore. A crença profunda em qualquer um deles desvia a atenção do fundamental, que é a vida da árvore.

• O homem não existe para ser controlado, numerado ou etiquetado. A vida verdadeira não cabe nas comportas que a civilização impõe.

• Todas as regras sociais, políticas e econômicas tem como objetivo a manutenção desse estado de coisas que não permite a manifestação plena da vida humana.

• A moral, é a mais eficiente, internacional e atemporal das leis feitas para controle e administração do homem social.

• O controle sexual, com o estabelecimento de uma moral que regula, desde o nascimento da civilização, até hoje, a vida em sociedade, é artificial e não combina com o homem espiritualmente liberto e naturalmente integrado ao semelhante e à natureza.

• A ética é a auto-consciência do que é bom para si próprio e para os outros. Ela é a matéria prima da verdadeira e duradoura mudança. Ninguém ensina ética, ela deve brotar dentro de cada um. O que pode ser ensinado é como faze-la desenvolver-se dentro de cada um.

• O caminho da auto-consciência é árduo, longo e escuro. O desânimo e a falsa promessa das luzes coloridas, mas superficiais, são os maiores perigos para quem se propõe a segui-lo.

• A vida é muito mais rica, profunda e verdadeira do que aquela que o mundo civilizado nos faz acreditar. Não temos nada e nem ninguém a temer. Qualquer força, lei ou costume que nos pareça grande e poderosa, é na verdade, justamente a projeção enganosa de seu contrário. Projeção, que para que chegue à nossa retina, utiliza como fonte de luz o medo.

• A auto-consciência não nasce em meio ao barulho e à confusão de imagens. Brota no silêncio e na reflexão. A mente humana é o único instrumento de mudança. Ela criará o terreno onde a vida verdadeira poderá nascer.

• Não existem receitas prontas, e " vida verdadeira" não quer dizer uma única maneira de viver. Quer dizer apenas uma vida que não seja manipulada em todos seus aspectos por forças alheias a nossa felicidade pessoal e coletiva.

• Num mundo auto-consciente, a generosidade atuaria como dissolvedora de barreiras e como grande facilitadora da integração.

• Nesse mundo utópico, que só existiria quando o homem utópico existisse, não existiriam países, nem leis, não existiria dinheiro, nem propriedades, tudo seria de todos, inclusive os filhos. Os desejos de todas as espécies não teriam tempo de se desenvolverem e muito menos de apodrecer, como acontece hoje . Seriam saciados com a mesma naturalidade com que hoje matamos nossa fome. Nesse mundo verde e humano, a educação em todos os níveis seria modificada, aliás, os níveis seriam abolidos, a integração de tudo, e a compreensão da vida como um fenômeno único seria o grande objetivo dos educadores, que seriam na verdade, tão aprendizes quanto seus alunos.